26
Fev 10

BROKEN, PARTE II - O HOSPITAL

Por conta de priorizar outros gastos e por não ter controle das minhas correspondências, atrasei meu plano de saúde o suficiente para causar seu cancelamento. A esta altura, ao final de 2009, pensei: “- Outra hora vejo isso…o que de grave aconteceria a um jovem saudável e vacinado?” Deu-se que por teimosia ou ironia dos deuses, aconteceu o que foi citado no post anterior. A lição começou ali, longe de terminar.

Após o atendimento inicial, correu-se atrás da cirurgia. Descartou-se de cara a Unimed - não dava pra pagar retroativo e operar a tempo - e o Metropolitano  - que só opera quem é socorrido por lá. Meu prazo era 7 dias, quando o osso ainda estaria “no ponto” para o procedimento. Através de contatos dos jornalistas da casa, finalmente consegui uma data na Clínica dos Acidentados Maradei, 7 dias após o fatídico, em uma segunda-feira. Nesse dia vivi a primeira experiência de um ser humano atendido pelo Sistema Único de Saúde.

Cheguei cedo, 7:30, em jejum. De mochila arrumada com roupas, livro, lanchinhos pra depois da cirurgia e palavra cruzada. Aguardei na recepção até quase 9:00 e enfim fui chamado. Minha mãe não pode ir comigo à recepção da parte interna, pois já sou maior de 18 e não tinha dificuldades de locomoção e fala. As pessoas desses ambientes parecem carregar uma tensão diferente, assim como uma frieza a certas situações. Ao meu lado um garotinho com a perna inteira engessada, todo machucado, chorava querendo ir pra casa. O médico se dirigia a ele com a mãe, dizendo “- já vou atendê-los”, sem o menor traço de comoção.

No consultório, a calha foi retirada pela primeira vez após o acidente, com uma certa brutalidade do médico. O braço tremia, como se os músculos não conseguissem coordenar qualquer movimento. Nessas horas aprende-se a valorizar os ossos - sem eles somos pesados como uma peça de carne no açougue. Após examinar e cogitar diferentes procedimentos possíveis, ouvi do médico: “- Não vou poder te operar hoje, tá?”. Não sei se fiquei chateado por mais um dia sem solução ou feliz por poder tomar café da manhã.

Terça-feira, 19/01. Chego novamente em jejum para enfim ser operado. Fui enviado lá pra cima na área de leitos, sem direito a acompanhante. Nada de quarto com TV e banheiro. Minha cama ficava no 5º andar, enfermaria 5, leito 3. Prazer, eu era o 553. Para todos os enfermeiros e médicos, eu era um número e uma fratura: “- 553, completa oblíqua de úmero”.

Minha visão inicial da Enfermaria foi a mais bisonha possível: 2 camas ocupadas das 4, um agente prisional em uma cadeira e a outra cama com dois pares de algemas de mão e pé. Sentei na minha cama e tentei ler um pouco, ignorando a fome e a sensação estranha que aquele ambiente me transmitia à primeira vista…Em breve conto o momento que comecei a fazer amigos por lá…

16
Fev 10

BROKEN - PARTE I, O ACIDENTE

Com a virada do ano, é comum que peçamos amor, dinheiro, saúde e outras coisas boas. Coincidentemente os dois últimos começos de ano me reservaram surpresas desagradáveis - ou como costumo chamar, lições de vida. Jogo bola às segundas e quartas há uns 6 meses e na segunda-feira 11 de janeiro, quebrei o braço. O máximo que já me havia acontecido em uma partida de futebol era uma torção ou fissura. Essa situação nova me trouxe medo e incertezas inumeráveis com o corpo quente do jogo e a mente tensa aguardando a ambulância.

Foi um lance rápido: bola esticada na lateral, e eu já havia perdido um gol em um lance anterior semelhante. Corri o máximo que pude, com a tradicional raça que tenho em campo. O corpo com velocidade excessiva e a proximidade do muro provocaram um acidente que para a maioria que  o ouve, permanece inexplicável. O braço chocou-se contra o muro e fez um efeito alavanca que provocou fratura completa dé úmero.

Não doeu. Ver meu braço pendurado e torcido de maneira impossível pela estrutura óssea me causou grande choque. Com coragem e reflexo, coloquei o braço no lugar e gritei por socorro. Todo meu desespero não era dor, era o pensar nos acontecimentos que sucederiam, no meu trabalho, na moto…30 minutos se passaram e a ambulância chegou. Depois disso, permaneci tranquilo a grande maioria dos dias até hoje. Com plano de saúde atrasado, contei com apoio da tia do Duque na Unimed BR, que me atendeu prontamente. Fratura confirmada, era a hora de correr para garantir a cirurgia. Nesse meio tempo, agradeço o apoio incondicional de todos do Libra - em especial o Mariano, Duque e Robson - que até segurou meu braço partido em dois quando cansei; aos amigos que ligaram preocupados e visitaram sempre que possível; aos meus pais e irmão, que mesmo emocionados e preocupados fizeram de tudo para conseguir as consultas e cirurgia; e em especial a Yza, que acima da compreensão e apoio de namorada até no banho dos primeiros - e mais difíceis - dias me ajudou.

Brevemente as partes II e III, com a incursão ao hospital e detalhes (escabrosos!) da cirurgia.

29
Dez 09

ROMERO BRITTANDO

Neste Natal, fiz meu papel de namorado que tem algum talentozinho. Como a Yza sempre me cobrou uma caricatura e gosta das pinturas do Romero Britto, uni o útil ao agradável nesta simples homenagem.

08
Dez 09

ORGULHO

Não é uma questão de encomenda ou presente. Com grande orgulho dei minha humilde contribuição à pesquisa da minha namorada, que encerrou o ciclo da graduação com um tema voltado à violência doméstica. Foi uma ‘cliente’ bem difícil, pois só ela mesma saberia ilustrar o que representa sua pesquisa. Felizmente ela (e eu) ficamos satisfeitos. O título foi composto com palavras soltas recorrentes ao tema: família, agressão, lei, família, rua, lar, drogas, bebida, e outras. A defesa é essa semana (ainda sem data marcada). Parabéns ao meu bem!!!

17
Nov 09

CARICATURAS DE PRESENTE VIII

É bom pros meus pais que ultimamente eles nem precisam mais pensar em qual presente dar de casamento…eu que varo as madrugadas desenhando :P . Presente para este simpático casal carioca que ficou hospedado lá em casa em setembro, quando já estavam de olho nas caricaturas…Felicidades!

13
Nov 09

CARICATURAS DE PRESENTE VII

Mais nova da série ‘Caricaturas de Presente’: o desenho foi um regalo de casamento para a Camila, colega de infância, irmã do afilhado da mamãe. Parabéns ao novo casal!

02
Nov 09

COGUMELO INFLAMÁVEL

Layout não aprovado para capa do disco da banda Inverso Falante (ex-Inversa). Em breve vocês podem conferir no Ná e na web a versão final e aprovada do disco.

28
Out 09

MUNDO LIVRE/SA

Cartum do vocalista do Mundo Livre, Fred 04, usado para ilustrar material gráfico do Esquenta do Festival SeRasgum.  Showzaço…

12
Out 09

LASIK

Há quase um ano postei esta mesma imagem para ilustrar um processo de Fotocoagulação a laser pelo qual passei, informando a agonia que tive nesse procedimento ocular que precedia a cirurgia de correção a laser da miopia. Mês passado, mais precisamente 02 de setembro, me submeti finalmente à LASIK (Laser in-Situ Keratomileusis), método mais moderno para remodelar a córnea e reposicionar o ponto focal dos olhos. Como a vontade de me libertar dos óculos era maior do que o medo do laser, resolvi encarar. O plano de saúde cobria e eu tinha de aproveitar. Agendei para a data mais próxima possível.

Ao chegar à Clinica Queiroz, precisei assinar um termo de que eu estava ciente da imprecisão da cirurgia, tanto pela correção quanto pelas possíveis consequencias. Não sei se por mera formalidade ou força a se eximir de culpa, consta no bendito formulário possíveis conseqüências como “hipo/hiper correção do grau, diminuição de sensibilidade na percepção de contrastes, inflamações, infecções” e outras coisas ruins que angustiaram. Assinei após tirar várias dúvidas com a atendente, que tinha a mesma insegurança que eu dos possíveis riscos.

Na sala de espera, estávamos eu e minha mãe com outros 3 pacientes, todos devidamente acompanhados. A preparação consistiu em higienização da área ao redor dos olhos, proteção para o sapato (?), touca na cabeça e colírio anestésico. Senti-me extremamente bem informado diante dos outros pacientes quando discorri sobre os procedimentos, tempo de exposição ao laser e cuidados pós-operatórios. O bate papo me acalmou. Fui o segundo da fila, e ainda pude ver o primeiro paciente sair vivo e enxergando.

Confesso que nos próximos passos fraquejei. O clima é como em qualquer outro centro cirúrgico, com a diferença que este é um procedimento em que o paciente precisa interagir com o médico para obter os resultados esperados. Deitei no leito, cobri-me com uma manta grossa e coloquei a mão dentro dos bolsos, apertando forte cada vez que me agoniava. Mais umas gotinhas de anestésico e a parada ia começar.

O primeiro passo é colocar uma fita cirúrgica para auxiliar no arregalar dos olhos. Um aparelho dá uma pressão ainda maior no globo, e nessa hora senti o gosto de lágrima na boca, como meu olho tivesse caído pra goela. Para chegar ao ponto ideal da correção, o olho é ‘destampado’, e nessa hora é como enxergar embaixo d´água com os olhos abertos, sendo que você ouve as pessoas ao seu redor comentando e solicitando sua interação sobre ‘luzes vermelhas, luzes verdes, informe quando elas sumirem’. Isso responde aos que perguntam ‘e dá pra pedir anestesia pra gente apagar?’

Agora era a hora de sentir o ‘odor característico’ informado no termo que assinei. O cheiro mistura carne queimada com solda, ruim é quando a gente se lembra o que provoca o tal cheiro. Pensei que no segundo olho seria mais tranqüilo, mas fiquei mais agoniado e rezando a cada segundo pra acabar. Pareceu que sofri? Não. O processo todo durou 20min, sendo que as marcas/cortes/laser-com-cheiro-de-solda duram no máximo 5min por olho. É a velha história do ’segundo que parece uma eternidade’, mas no fundo é rapidola.

E hoje, mais de um mês depois, como me sinto? Com foto-sensibilidade, ainda enxergando uns fantasminhas. Quando bocejo e lagrimo, os olhos ficam marejados e a vista fica perfeita, cristalina. Isso normalmente dura de 15 a 60 dias, portanto ainda estou no prazo. De resto, nada de incômodo, dor, ou qualquer outro agravante. Recomendo!

01
Out 09

SANTINHA ESTAÇÃO

A Lu Soeiro e a Kassya pediram e eu fiz esse desenho para o Círio, usado nos principais brindes e mídias do Círio na Estação das Docas. Gostei da aplicação na sandália, pena que na camisa tenha ficado muito diminuto.

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